Uma revisão dos registros de pinípedes no Espírito Santo

Resumo adaptado do artigo original
Autores: Luis Felipe Mayorga, Renata Hurtado, Ralph Vanstreels, Renata Bhering, João Luiz Rossi Junior

No final do ano de 2010 iniciou-se um Projeto de Monitoramento de Praias no litoral do estado do Espírito Santo, com o objetivo de registrar diariamente encalhes da megafauna marinha e investigar a relação desses registros com a atividade antrópica, dentre as quais a pesca, poluição e exploração de petróleo e gás, por exemplo. Até então não existia literatura científica sobre as ocorrências de pinípedes no estado, embora já existissem publicações científicas sobre a ocorrência de pinípedes nos estados vizinhos: Bahia e Rio de Janeiro.

Figura 1. Registros de pinípedes no estado do Espírito Santo, Brasil. A. Mirounga leonina macho adulto (Tabela 1, registro J). B. Arctocephalus tropicalis adulto (Tabela 1, registro M). C. Arctocephalus australis carcaça encalhada na praia (Tabela 1, registro Q). Fotografias reproduzidas com permissão, de: (A) José Luiz Pampanelli (A Gazeta 2006a), (B) Andressa Teixeira Cardoso Mian (A Tribuna 2006a), e (C) Carlos Eduardo Amorim (comunicação pessoal).


Com o objetivo de otimizar informações disponíveis sobre a ocorrência de pinípedes na costa do ES, revisamos várias fontes de informação até 31 de dezembro de 2010, incluindo artigos científicos, resumos de conferências e reuniões, jornais, notícias televisivas, comunicações pessoais e observações de campo. Fotografias dessas fontes foram examinadas para confirmar ou corrigir a identidade das espécies e para determinar informações adicionais como sexo, faixa etária e comportamento. Foi adotada uma abordagem conservadora, e apenas as informações que poderiam ser confirmadas foram incluídas. Os registros foram mapeados. Foram registradas três espécies: o lobo-marinho-sul-americano (Arctocephalus australis) (n=2), o lobo-marinho-subantártico (Arctocephalus tropicalis) (n=5) e o elefante-marinho-do-sul (Mirounga leonina) (n=6). Outras quatro observações não puderam ter a espécie identificada de forma confiável e foram classificados apenas como "otarídeos".


Tabela 1. Registros de pinípedes no Espírito Santo, Brasil, entre 1987 e 2010 (em inglês).


Embora os dados tenham sido coletados principalmente de fontes não acadêmicas, foi possível verificar a maioria dos registros através das fotografias ou detalhes escritos. Embora não tenha a mesma qualidade de pesquisas sistemáticas e registros cuidadosamente documentados por pesquisadores, as informações obtidas a partir desses registros históricos e anedóticos são uma contribuição válida quando outros dados não estão disponíveis. Esses dados podem ser úteis para comparação com estudos futuros que empreguem métodos mais sistemáticos de monitoramento de praias.

Comentamos alguns registros antigos de pinípedes no ES, informalmente, no próprio site do IPRAM (http://ipram-es.blogspot.com.br/p/pinipedes.html).

Figura 2. Distribuição geográfica dos registros de pinípedes na costa do Espírito Santo, Brasil, entre 1987-2010. Os municípios são delimitados por linhas em cinza claro e as áreas sombreadas vermelhas representam alta densidade populacional humana. As letras referem-se aos registros detalhados na Tabela 1.